Dorival Júnior explica sucesso do Santos FC de 2010: “O time era simples”

O ex-treinador do Santos FC relembrou momentos importantes daquele time ao UOL Esporte.

O início

“Foi uma equipe que chamou a atenção de modo geral, não só no nosso país, mas no mundo esportivo em geral. Fico feliz porque era uma equipe muito simples. Na minha chegada em dezembro de 2009 haviam jogadores que se destacavam, promessas que muito se esperava, porém, até aquele instante ainda não haviam colocado em prática tudo aquilo que possuíam. Interessante que logo na minha primeira entrevista geraram dúvidas em cima do Ganso e do Neymar e eu disse que minha equipe teria como base esses dois jogadores.”

Conversa no CT

“No meu primeiro dia de treinamento, montamos duas equipes num campo reduzido, e com dez minutos passei o Wésley de atacante para volante e de repente encontramos uma dinâmica muito grande com ele. A partir dali o time tomou uma cara. E quando finalizamos esse trabalho, após 25 minutos mais ou menos, fomos para debaixo de uma mangueira que tem ali no CT e disse: Esse time pode marcar a história do Santos Futebol Clube.”

Importância de Giovanni

“O Giovanni chegou um pouquinho depois de mim e parece que as coisas começaram a fluir ainda mais. O Giovanni agrupava todo mundo, assim como o Serginho Chulapa. Era um tratamento interessante e a maneira dele falar, o exemplo dele, chamava a atenção de todos. Ele foi muito importante em algumas partidas e a gente percebia a idolatria que existia. Por isso é importante a figura de uma liderança em campo.”

Dorival Júnior Santos FC
Dorival Júnior ex-treinador do Santos FC (Foto: Reprodução de Vídeo)

Depende do dia e com quem eles queriam infernizar. Na grande maioria das vezes era o Madson e o Zé Love. O Zé Love sofria de todos os lados. Quando não tinham nada pra fazer, pegavam o Zé Love. Um dia deixaram ele 40 minutos amarrado na trave, depois do treino, já escurecendo, cheio de pernilongo, deixaram ele igual uma múmia. Só depois o pessoal da rouparia que passou e viu ele amarrado, uma hora depois.

Dorival Júnior

Simplicidade do time

“O time era simples, e o futebol jogado com simplicidade e objetividade se consegue atingir ótimos resultados. O maior complicador de uma equipe em campo é justamente não simplificar jogadas que poderiam levar ao gol adversário de uma forma mais direta. Nossos jogadores, em geral, gostam do último toque, da última finta e aquela equipe não, ela deixava pra individualizar em momentos importantes.”

Ascensão de alguns jogadores

“Neymar, Paulo e Robinho são jogadores diferenciados. O Paulo (Ganso) teve um momento dentro do Santos FC que era impressionante. Aquilo foi o complemento de vários profissionais que estavam buscando uma condição diferente. Arouca estava buscando uma nova condição, Edu Dracena voltando de uma lesão muito séria, Durval queria uma confirmação no sul do país, Marquinhos, enfim, eram jogadores que buscavam e transformavam uma partida de futebol numa brincadeira de rua. Exigia muito trabalho, muitos treinamentos e muita repetição.”

A desconfiança

“No começo do campeonato, quando a gente metia quatro, cinco gols diziam que a gente só fazia aquilo em times pequenos. Aí vieram os clássicos e fizemos o mesmo. Aí diziam que queriam ver em decisão, fomos campeões… Com certeza era a equipe que mais se divertia.”

VEJA TAMBÉM:
+ CONMEBOL analisa medidas para a volta do futebol.
+ Luan Peres fala em equilíbrio no trabalho de Jesualdo Ferreira.

Madson ousado

“O Madson morava na cobertura e lá de cima ele gritava: Dorival, você está acordado? Eu quero jogar.”

Robinho mais experiente

“O principal é que ele teve uma leitura muito rápida e mudou seu comportamento. Ele mesmo me falou que precisava se posicionar, ficar um pouco mais por atrás, tentar organizar e dar liberdade para que eles possam correr lá na frente. Eu disse que queria ele sem obrigação, mas com liberdade. O posicionamento inicial dele era pelo lado direito, já que tinha o Neymar pelo lado esquerdo. Mas a obrigação era comedida na marcação e com bola ele seria essencial.”

Ganso se negando a sair de campo

“Quinze minutos antes do episódio, tinha saído uma falta próxima do banco e ele me disse que estava morto. Porque o Ganso era o único que estava segurando a bola e eu disse que não tiraria ele naquele momento. E de repente nós tivemos a segunda ou terceira expulsão e eu tinha acabado de colocar o André em campo. E cinco minutos antes, o Sérgio (técnico do Santo André) tinha colocado o Rodrigão, se não me falhe a memória. Eles tinham um time alto e eu precisava de alguém ali dentro para me dar sustentação. Minha ideia era tirar o Ganso, colocar o Bruno (zagueiro) e formar uma linha de três zagueiros e colocar o Arouca mais encaixado com eles. Quando ele viu que seria ele a sair, ele tinha crescido muito e decidiu ficar. Fiquei sem ação. O Robinho que estava atrás de mim, disse: Professor, já que o Ganso não quer sair, tira o André que está uma b…”

Dívida com o Santos FC

“Minha dívida está solucionada com o Santos. Existia uma dívida, mas já foi resolvido. Tenho um carinho muito grande pelo clube”

+ Notícias do Santos Futebol Clube


+ Santos Futebol Clube
+ A Família Santista
+ Seja Sócio Rei

Rolar para o topo